quarta-feira, 23 de abril de 2025

SÍMBOLOS E MITOS ALGUNS SÍMBOLOS SAGRADOS Borres Guilouski Os símbolos são linguagens que representam e comunicam ideias. Alguns símbolos sagrados são universais. Eles são compartilhados por diferentes povos e religiões. Podem ser objetos como o sino, a chave, o círculo, ou elementos da natureza a árvore, flores, fogo, sol, estrela, água, pedra, ar, entre outros. Os elementos naturais são usados geralmente como símbolos sagrados para representar a vida, a sabedoria, a imortalidade ou os ensinamentos e experiências importantes para os seguidores de diversas religiões. A árvore é um exemplo interessante de símbolo universal. Está presente em muitas culturas antigas e atuais. Existem tradições religiosas que consideram algumas árvores sagradas. Para as tradições nativas de modo geral, todas as árvores são sagradas. Para os índios Ticuna, povo que vive na região amazônica e maior nação indígena do Brasil, a árvore chamada samaumeira é sagrada. Essa árvore é considerada a Mãe da Floresta e a Criadora do mundo. Na história mítica dos Ticuna o mundo surgiu desta árvore. Além da samaumeira, a jurema, a paineira, o guaraná, o açaí, entre outras, são também árvores sagradas para os índios brasileiros. O baobá (foto ao lado) é uma gigantesca árvore, considerada sagrada para os povos da África. O baobá pode viver mais de mil anos, atingir até 25 metros ou mais de altura e 7 metros a 11 metros ou mais de diâmetro. Dela o homem pode usufruir de muitos benefícios. O baobá armazena grande quantidade de água em seu tronco que pode ser extraída e utilizada. Além disso, em seus imensos ocos as pessoas podem até morar. As folhas surgem entre os meses de julho e janeiro, mas, se o terreno onde cresce a árvore for bem umedecido ela mantém as folhas quase todo o ano. Geralmente, o baobá floresce durante uma única noite, no período de maio a agosto. Suas flores permanecem abertas durante poucas horas. Praticamente, tudo dessa árvore pode ser aproveitado. O baobá é uma fonte preciosa de medicamentos e alimento para as pessoas. No Candomblé o baobá é uma árvore sagrada que não deve ser cortada ou arrancada. Na tradição do Budismo acredita-se que o príncipe Sidarta Gautama, sentado sob uma figueira, após dias de meditação profunda, despertou atingindo a iluminação interior, tornando-se assim, Buda que significa o Iluminado. A figueira ou bodhi é sagrada para os seguidores do Budismo. Segundo a tradição budista, ela protegia Buda, envolvendo-o com seus galhos durante a meditação. Assim, a figueira passou a ser um símbolo da sabedoria e existe a crença de que ela pode emitir uma bela música quando o vento passa por seus ramos, quem a ouvir tem a dádiva de despertar espiritualmente. No Judaísmo, as árvores são símbolos da vida. Antes da primavera os judeus celebram o “Ano novo das árvores”, o TU B’SHVAT, o dia da criação das árvores. Nesse dia, costuma-se plantar árvores pronunciando uma oração ao plantá-las. No Cristianismo, a videira é símbolo de Cristo “a videira verdadeira”. Os povos no Antigo Oriente consideravam a videira uma árvore sagrada, e o vinho extraído dela simbolizava a juventude e a imortalidade. Após ler o texto “ALGUNS SÍMBOLOS SAGRADOS”, responda as questões abaixo: MITOS Mitos são narrativas utilizadas pelos povos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza que não eram compreendidos por eles. Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis. Todos estes componentes são misturados a fatos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram. Um dos objetivos do mito é transmitir conhecimento e explicar fatos que a ciência ainda não havia explicado. Características de um mito:  Tem caráter explicativo ou simbólico.  Relaciona-se com uma data ou com uma religião.  Procura explicar as origens do mundo e do homem por meio de personagens sobrenaturais como deuses ou semideuses.  Ao contrário da explicação filosófica, que se utiliza da argumentação lógica para explicar a realidade, o mito explica a realidade através de suas histórias sagradas, que não possuem nenhum tipo de embasamento para serem aceitas como verdades.  Alguns acontecimentos históricos podem se tornar mitos, desde que as pessoas de determinada cultura agreguem uma simbologia que tornem o fato relevante para as suas vidas.  Todas as culturas possuem seus mitos. Alguns assuntos, como a criação do mundo, são bases para vários mitos diferentes.  Mito não é o mesmo que fábula, conto de fadas ou lenda. MITO INDÍGENA DO SOL Antigamente, muito antigamente, no tempo em que vivia entre os Tucuna, o Sol era um moço forte e muito bonito. Por ocasião da festa de Moça-Nova, o rapaz ajudava sua velha tia no preparo da tinta de urucu. La à mata e trazia uma madeira muito vermelha, chamada muirapiranga. Cortava a lenha para o fogo onde a velha fervia o urucu para pintar os Tucuna. A tia do moço era muito mal-humorada, estava sempre a reclamar e a pedir mais lenha. Um dia o Sol trouxe muita muirapiranga e a velha tia ainda resmungava insatisfeita. O rapaz resolveu então que acabaria com toda aquela trabalheira. Olhou para o fogo que ardia, soltando longe suas faíscas. Olhou para o urucu borbulhante, vermelho, quente. Desejou beber aquele líquido e pediu permissão à tiaque consentiu: - Bebe, bebe tudo e logo, disse zangada. Ela julgava e desejava que o moço morresse. Mas, à medida que ia bebendo a tintura quente, o rapaz ia ficando cada vez mais vermelho, tal qual o urucu e a muirapiranga. Depois, subindo para o céu, intrometeu-se entre as nuvens. E passou desde então a esquentar e a iluminar o mundo. Índios Tucuna, Vale do Rio So

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