quarta-feira, 12 de março de 2025

TRADIÇÕES RELIGIOSAS, MÍDIAS E TECNOLOGIAS 2 Como as tradições religiosas avançam juntamente com a humanidade, através delas podemos observar as mudanças que as diferentes sociedades passam com a transformação tecnológica e de informação, onde a internet possibilitou novas maneiras de interação através do ciberespaço em diferentes ciberculturas. Para BAUMAM (2001) estamos na “modernidade líquida”, em razão de vivermos num mundo de incertezas, insegurança, do consumo, de relações frágeis, de perda de referências morais, de um pensamento pautado no imediatismo, na individualização e desapego. Um mundo onde os fluidos se movem facilmente, 'escorrem', 'esvaem- se', 'respingam', 'transbordam', 'vazam', 'inundam', 'borrifam', 'pingam', são 'filtrados', 'destilados'; e, diferentemente dos sólidos, não são facilmente contidos - contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho... Dessa forma, esse é o mundo onde o virtual cada vez mais encontra espaço na vida do indivíduo, razão pela qual, as Tradições Religiosas e seus símbolos passaram a ser oferecidos também nessa modalidade, adentrando o universo individual de cada um, no tempo de cada um, deixando de ter apenas um espaço físico e fixo para estar em todo lugar, com inúmeras configurações, grupos e sites no mundo virtual, constituindo-se como uma estrutura que abarca todo o sentimento e cultura da contemporaneidade. Vamos observar essa realidade a partir dos textos abaixo: MATRIZ INDÍGENA (Karay Pojawa- Tekwa Tinguí Ianai) Os povos indígenas desde os contatos primeiros com os invasores colonizadores passaram a absorver sua cultura e as tecnologias trazidas no velho mundo. Isso não significa uma aculturação visto que não há cultura estática, pois é no contato que as identidades tradicionais se influenciam criando identidades híbridas. Os povos originários mantêm suas tradições por oralidade, mas cada vez mais estão se utilizando das mídias e tecnologias. Se num primeiro momento pareceu que os frutos da modernidade colocavam em risco a cultura e a religiosidade dos povos nativos, num segundo momento, esses povos estão difundindo sua cultura, sua linguagem, seus costumes e crenças por meio de todos os canais e redes sociais da internet, da TV entre outros. Muitos indígenas estão buscando espaço para a afirmação de sua identidade e o resgate de seus costumes publicando vídeos, pesquisas, textos, informações, e vêm obtendo dentro e fora das aldeias o alcance de um vasto público. Ao fazer uso dessas ferramentas, estreitam os laços entre os povos de diferentes etnias e socializam suas ações, somando forças para resistir ao processo de dominação, denunciando o assolamento em terras indígenas, para garantir a sobrevivência, não só da sua cultura, mas de seus descendentes, que estão bastante ameaçados. Com isso, temos acesso a produção midiática e das tecnologias de informação de muitos cidadãos indígenas e de pesquisadores da área, que se tornaram um valioso recurso didático para o Ensino Religioso e o combate a intolerância e o preconceito religioso. MATRIZ AFRICANA - CANDOMBLÉ (MARITANA DRESCHER DA CRUZ) No Candomblé saudamos em primeiro lugar o orixá Exu pois ele é o responsável pela comunicação entre o Orum (céu) e o Ayê (terra), entre os encarnados e os orixás2 , é também ligado à palavra escrita e falada ao conhecimento e ensino. Na África, cada Orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país inteiro tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais. O Candomblé se originou no Brasil por meio da herança cultural, religiosa e filosófica trazida pelos africanos na diáspora. No Brasil a religião foi reformulada para poder se adequar e adaptar às novas condições locais. Os terreiros são locais de culto e pulsantes de vida, conhecimento, aprendizagem, experiências e formação, e são lócus de manutenção da preservação religiosidade da cultura e valores afro-brasileiros. Nas comunidades de terreiro existe modos de socialização específicos, que articulam seus valores, simbolismos, saberes e visões de mundo, permeado por vários dispositivos facilitadores. 1 Maritana Drescher da Cruz. Doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Paraná. Professora de História da rede Estadual de Educação. Mãe pequena de Umbanda no Centro Espirita Ogum Marinheiro (CEOM) e Abian de Candomblé no Ilê Àlaketù Ìjoba Osùn Ògún e Membro do grupo Àlàáfià Educação e Religião. 2 Orixá de acordo com Verger(2002) é um ancestral divinizado que, em vida, estabelecera vínculos que lhe garantiam um controle sobre certas forças da natureza, como o trovão, o vento, as águas doces ou salgadas, assegurando-lhe a possibilidade de exercer certas atividades como a caça, o trabalho com metais ou ainda, adquirindo o conhecimento das propriedades das plantas e de sua utilização. IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL (REV. JUAREZ MARCONDES FILHO) Nestes tempos de pandemia, a Igreja Presbiteriana tem se servido largamente dos meios digitais para levar a efeito suas atividades, mormente as de ordem espiritual. Aos domingos, no mesmo horário regular de Cultos, as pessoas que se acham nos seus lares podem acessar a página da Igreja na internet, ou as redes sociais que a Igreja mantém, para participar do trabalho religioso. Procurou-se manter o ritmo habitual do serviço litúrgico, com leituras bíblicas, orações, hinos e cânticos e, principalmente, a pregação da Palavra de Deus. Pelos dados obtidos, só da comunidade dos membros, cerca de 1000 pontos são acessados a cada Domingo, o que deve resultar numa presença diante dos terminais de aproximadamente 2500 pessoas. Ademais, como o trabalho fica a disposição na internet, ao longo da semana, ele é recorrido por muitos outros frequentadores, elevando bastante o número dos que assistem aos Cultos. Além disto, ao longo da semana, pela Plataforma Digital são realizadas inúmeras reuniões, tanto de caráter espiritual, como de deliberações administrativas, a fim de que a vida da Igreja possa seguir seu curso dentro da melhor normalidade possível para estes dias inusitados. De outra sorte, pelos diferentes recursos eletrônicos, a equipe de liderança, especialmente os pastores, têm ficado à disposição da membresia para orientação e aconselhamento, oração e socorro, animação e motivação. Tais ferramentas já eram usadas anteriormente, e precisaram ser aprimorados nos dias recentes, e, com certeza, passado este momento crítico, elas continuarão a ser usadas, não como substituição à presença física uns dos outros, mas como um suplemento extremamente relevante. IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA (PADRE VOLNEI CAMPOS) O uso das plataformas digitais e canais de comunicação virtual na vida da igreja não têm em vista somente a veiculação de informações e conteúdos de cunho religioso, ou mediação de serviços religiosos, mas tem se configurado como um espaço de interação e experiência de fé entre os fiéis, especialmente em tempos de pandemia em que as atividades presenciais são reduzidas ou evitadas. Essa relação entre fé e virtualidade tem, inclusive, suscitado uma reflexão mais apurada na Teologia Católica, considerando que a tecnologia se coloca como uma dimensão irrenunciável nas relações contemporâneas. As redes não são meramente um espaço de passagem, mas uma ambiência de encontros, de construção e manutenção de vínculos. Salvaguardado os ritos e práticas que, por sua natureza espiritual e teológica- doutrinal, requerem a presencialidade – especialmente relacionadas aos sacramentos – as redes sociais, websites e outras plataformas têm sido amplamente exploradas para aproximar as pessoas e suas comunidades, compartilhar experiências locais e globais, acompanhar processos e mobilizar ações. Entre as possibilidades que a tecnologia coloca está o acesso remoto aos elementos que constituem a identidade religiosa, expresso em seus ritos, doutrinas, símbolos. De modo particular, destaca-se o aspecto estético-espiritual observável, por exemplo, pelas visitas virtualmente guiadas a templos e lugares sagrados, e a possibilidade de contato e interação com espaços. Após a leitura desses relatos, de algumas das diversas tradições religiosas sobre o uso das mídias e tecnologias, escreva: a) Quais as principais vantagens destacadas? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ b) Que aspectos negativos há nos relatos? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ c) Quais as consequências dessas práticas midiáticas e tecnológicas para as diversas tradições religiosas? _____________________________________________________________________ ______________________________________________

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